Registro 64.75


O primeiro romance policial da escritora Paula R. Cardoso Bruno chega repleto de aventura, perigo, tensão, mas como sempre, muito romance.
A estória se passará entre Brasília e o Rio de Janeiro, mas em vários trechos a protagonista viajará por outros cantos do país. Helena, uma delegada da Polícia Federal brasileira que viveu um momento trágico no início da adolescência, traça um futuro para si mesma e o persegue com determinação e vigor. Se torna a melhor, a mais temida, uma profissional no mais alto nível, mas não contava com o acaso. Sempre rodeada por colegas de trabalho não dá chances ao amor e é exatamente quando se permite um momento de descontração e relaxamento, que o encontra. Em um cruzeiro ela conhece Henrique, um homem desconhecido mas que não se intimida, é tão forte e competitivo quanto ela, decidido e que se apaixona.
Não será nada fácil, mas quem sabe o que pode acontecer?
Ação... Paixão... Aventuras e surpresas te esperam em Registro 64.75.





Leia agora o primeiro capítulo desse incrível Romance Policial



A Juventude Roubada

A minha família nunca teve muitas posses, como o meu pai dizia, mas com muito esforço conseguimos comprar a nossa casinha própria e um carro zero, apesar de popular. Meu pai, um bancário e a minha mãe, uma secretária, não tinham condições de manter todo o luxo dos nossos vizinhos. Morávamos em Brasília, num bairro de classe média chamado Asa Sul, mas não tínhamos realmente o mesmo nível que os nossos vizinhos do Lago Sul. Ao nosso lado direito morava o dono de uma rede de mercadinhos que se espalhou por quase todos os bairros de classe média. Do lado esquerdo morava um alto funcionário do governo, mas não tão alto para cruzar o lago e ir se misturar com os deputados, senadores e ministros. Eu conhecia todo mundo, estudávamos no mesmo colégio, mas eu me sentia deslocada. Enquanto a maioria chegava de motorista ou de carona com os pais naqueles carrões, eu ia de ônibus mesmo e quase sempre chegava atrasada. A diretora nem chamava mais os meus pais, via no meu rosto vermelho depois da corrida do ponto até o portão da escola, o motivo do meu atraso. Transporte público nunca foi o forte da minha cidade, quem morava lá andava de carro mesmo. Os meus pais tinham acordo com os amigos e pegavam carona dividindo o combustível. No final do mês saía mais barato, aquele era objetivo número um dos meus pais.
Fazíamos de tudo para economizar durante o ano todo e viajar nas férias para a casa de parentes em outros estados. Eu tinha uma tia no Rio de Janeiro, um tio na Bahia e uma no Rio Grande do Norte. O irmão mais novo da minha mãe tinha morado conosco por alguns anos enquanto terminava a faculdade de advocacia, mas acabou passando para um concurso público e se mudou. Eu adorava ir à casa dele, era muito mais descontraído, o bairro mais amigável. No meu sempre tinha aquele homem de nariz em pé achando que era mais que os outros.
Tínhamos a nossa vidinha normal, eu tinha a minha rotina escola-casa e não reclamava. Na minha casa tinha uma piscina pequena, mas que eu me refrescava com as amigas nos dias quentes e um pequeno quintal onde a minha mãe cultivava as suas plantas com o maior gosto. Aquilo era a sua distração nos finais de semana e o meu pai ajudava quando não estava estudando, almejando um emprego melhor. Eles faziam de tudo para me dar conforto e segurança, trabalhavam muito para aquilo.
Ia tudo bem quando o meu mundo desabou.
Era uma quinta feira quente, véspera de um feriado e como sempre acontecia no início do mês, meu pai pediu a pizza favorita de todos e de sobremesa uma média meio a meio de chocolate e banana com canela. Colocamos um filme para assistir enquanto esperávamos o interfone tocar e o meu pai contava animado que estava esperando o resultado de mais um concurso. Ele nunca desistia e pelo gabarito achou que teria grandes chances daquela vez. Se ele passasse, teríamos condições de comprar outro carro para a minha mãe e eu não precisaria ir de ônibus todos os dias. Seria ótimo para todo mundo, mas as coisas foram bruscamente interrompidas.
– Chegou! – Minha mãe disse animada quando ouvimos o interfone tocar.
– Vou buscar. – Meu pai avisou.
– Vão arrumando aí... Não esqueça de pegar o gelo. Deixa que eu vou. – Ela disse e foi o seu erro.
Estávamos sentados na sala esperando quando ouvimos o primeiro grito. Não era a pizzaria, eram bandidos querendo assaltar a nossa casa. O meu pai levantou correndo e me mandou ficar abaixada no canto, mas um dos bandidos entrou e lhe deu um soco tão forte que o meu pai caiu desacordado. Outro, o que dominava a minha mãe, a amarrou e a colocou sentada no sofá. Eu tremia muito de medo enquanto a minha mãe gritava para não me fazerem mal, foi a minha sorte. O segundo homem apenas me amarrou também e depois o meu pai. Foi horrível.
Eles revistaram a casa toda, não deixaram nada no lugar. Durante toda a noite ficavam discutindo e procurando dinheiro e joias que não tínhamos. As únicas coisas de valor eram as alianças dos meus pais e um colar herdado pela minha mãe. Eles tinham penhorado tudo para conseguir o dinheiro para a compra da casa e o resto eram dívidas. Os meus pais falavam, mas eles não acreditavam e me ameaçavam o tempo todo. A nossa esperança era a entrega da pizza, mas era um motoqueiro novo que não nos conhecia e entregou a pizza ao bandido.
Por volta das seis e meia da manhã a Janaína, nossa ajudante, chegou de mansinho como sempre e acabou me vendo amarrada e com a boca tapada. Eu arregalei os olhos e indiquei com a cabeça que era para ela sair, foi o que ela fez. Os bandidos não a viram, mas ela acabou chamando a polícia que chegou menos de meia hora depois. Pudemos ouvir a sirene ecoando do lado de fora. Um dos bandidos acabou me pegando como escudo e colocou a arma na minha cabeça. Eu tremia muito, estava morrendo de medo por mim e pelos meus pais. O outro bandido ficava com a arma apontada para eles os acusando de ter chamado a polícia.
– Mamãe te ama, filha. – Minha mãe sussurrava para mim.
– Deixem a minha filha ir, por favor. – Meu pai implorava.
– Cala boca! – O bandido de camisa vermelha que apontava a arma para os meus pais ordenou bem nervoso.
– A casa está cercada! – Uma voz vinda de fora avisou.
– Vagabundo denunciou a gente. – O bandido que me segurava resmungou e apertou o meu pescoço me fazendo gritar.
– Vamos negociar. – O policial gritou de fora da casa.
– Temos que cair fora. – O bandido de camisa vermelha murmurou para o que me segurava.
– Sem a grana? Não! Nos cantaram a parada. Vamos pegar a grana e sair pelo portão dos fundos.
– Não temos portão dos fundos. É apenas um muro. – Minha mãe disse.
– Queremos a grana! Abre o bico e fala logo. Sabemos de tudo... Vocês são ricos! Fala sério! – O de camisa vermelha rosnou.
– Sou bancário! – Meu pai arfou.
– Sou secretária. – Minha mãe contou.
– Mentira! Vocês são donos daquela loja de carros na avenida principal. – O bandido de camisa vermelha debochou.
– Não! Olha o meu carro, rapaz. Ainda estou pagando. Somos pobres, cara! Vocês pegaram a família errada! – Meu pai arfou.
– Que merda, cara! Carro popular. – O bandido avisou furioso depois de olhar pela janela que dava para ver a garagem e o fundo da casa. – Muro atrás, mané! Temos que cair fora antes que entrem aqui.
– Atendam o telefone e vamos negociar. – O policial gritou do lado de fora.
– Por favor. Deixem a minha filha sair. – Minha mãe implorou chorando.
– Não! – Gritei.
De repente tudo aconteceu e foi rápido demais. Uma sombra passou na janela e ouvimos o primeiro disparo. Um tiro vindo de fora atingiu o bandido que me segurava, mas ele acabou atirando também e acertou a minha mãe antes de cair. O bandido de camisa vermelha se desesperou e começou a atirar sem parar quebrando os vidros da janela, um deles atingiu o meu pai. Algo me dominou naquele momento, o medo foi suprimido de alguma forma e agi. A arma do bandido que me dominava estava no chão ao seu lado, então a peguei e pela primeira vez na minha vida senti o peso de uma arma, o peso e a sensação do primeiro tiro.
– Ahhh!!! – Gritei e descarreguei a arma no bandido que tinha matado o meu pai.
Eu simplesmente não consegui me controlar. Enquanto a arma não ficou vazia eu não parei. Ele caiu, mas eu não parei. Fiquei com muita raiva, a sede de vingança me dominou. Eu via tudo vermelho na minha frente, a sala da minha casa estava cheia de furo nas paredes, vidros quebrados no chão, sangue no tapete e no sofá.
– Calma. – Um policial pediu e abaixou a minha mão quando se aproximou por trás e eu ainda apertava o gatilho, mas não tinha bala.
Depois daquilo a minha casa foi invadida por muitos homens com roupa da polícia e armas em punho. Eles arrombaram a porta achando que poderia ter mais algum bandido e começaram a revistar a casa. Eu ouvia vozes gritando que a casa estava vazia, gritos do lado de fora, sirenes ecoando.
– Mãe! Pai! – Gritei quando vi os seus corpos no chão e aquelas poças de sangue manchando o chão.
Nunca imaginei que o sangue fosse algo tão viscoso. Abraçada aos seus corpos, chorei as suas mortes e me sujei com o sangue que me deu a vida. Eles não mereciam aquilo, não mereciam uma morte tão horrível. Uma policial me tirou de lá dizendo que a perícia tinha que trabalhar, mas eu não queria sair. A Janaína, ajudante da casa estava do lado de fora e me abraçou forte me agradecendo pela sua vida. Se eu não a tivesse mandado sair, ela também poderia estar morta. Ela avisou ao irmão mais novo da minha mãe e ele também estava lá, foi ele que me pegou no colo quando desmaiei. A verdade que eu estava sozinha e órfã me dominou e eu me desesperei. Sem os meus pais, o que eu faria da minha vida? Eles eram tudo para mim.
Quando acordei, vi que eu estava deitada na cama de um hospital com ele ao meu lado. O meu tio prometeu que cuidaria de mim, que a sua casa seria a minha a partir daquele dia.
Alguns dos meus amigos da escola foram até o hospital naquele dia, mas não puderam entrar. Um delegado me visitou e pediu que eu relatasse o que tinha acontecido, mas o meu tio, que era advogado, pediu um tempo para mim e marcou o depoimento para dali a dois dias, eu precisava enterrar os meus pais, pensar o que seria da minha vida. Ele estava apenas cuidando de mim e eu agradeci muito. Eu não entendia nada dos preparativos de um funeral e nem que os meus pais cuidavam realmente de tudo. Eles tinham um seguro que cobria aquilo e muito mais. O meu pai o tinha feito no banco onde trabalhava. Foi só o meu tio acionar e o seguro cuidou de tudo por mim, de tudo que eu não teria coragem e nem sabia como fazer.
Na manhã do dia seguinte, depois da minha primeira noite já na casa do meu tio, segui no carro dele para o velório. Estava lotado dos amigos e parentes que puderam ir. Os meus pais eram muito queridos, muito amados pelos amigos. Eles me prometeram apoio e conversaram muito com o meu tio. Eu não conseguia entender nada, só via aqueles dois caixões com os meus pais deitados. Tremi muito quando me aproximei, o meu tio disse que eu não precisava, mas eu quis me despedir. Eles tinham implorado pela minha vida, sempre diziam que eu era a continuação da deles e foi lá, aos pés das suas últimas moradas que prometi, a eles e a mim mesma, que eu lutaria contra a violência, que faria de tudo para garantir a minha segurança e de todos que eu pudesse ajudar. As lágrimas escorriam dos meus olhos enquanto eu murmurava e uma força me mantinha de pé, mas não consegui resistir ao sepultamento. Foi muito difícil ver que tudo tinha acabado, fiquei sem chão e sem saber bem o que fazer. Parecia um pesadelo, foi estranho.
– Vamos para casa. – Meu tio pediu quando fiquei sentada olhando os homens do cemitério terminando o sepultamento.
– Mas eles ficarão sozinhos aqui. – Arfei. – A minha mãe nunca gostou de ficar sozinha.
– Eles estão juntos, Heleninha. – A Janaína me disse.
– Para onde eu vou? Para casa?
– Para a casa do Ulisses, querida. O seu tio ficará tomando conta de você.
– E as minhas roupas? Meu material da escola? – Perguntei confusa.
– Vamos cuidar de tudo assim que a polícia liberar a casa. – O meu tio me prometeu. – Mas até lá você ficará comigo.
– Tá.
Aquele foi o primeiro dia da minha nova vida. O plano de um curso de inglês se desfez, o sonho de uma faculdade de letras virou fumaça. Quando cheguei à casa do meu tio ele me avisou que na segunda eu teria a minha primeira consulta com uma psicóloga para me ajudar a superar aquele primeiro momento. Eu perguntei como viveria já que sem os meus pais eu não teria como me sustentar, mas acabei descobrindo muitas coisas. Os meus pais tinham seguros de vida no nome de cada um em separado e eu era beneficiária em todos. Fiquei meio em choque, claro. O meu tio tinha conhecimento de tudo e me mostrou todos os documentos. Os meus pais confiavam a ele aquelas coisas e eu nem tinha conhecimento. Não era à toa que vivíamos sempre no limite das despesas, eles pagavam os seguros da casa, do carro, de vida e mais uma poupança em meu nome que eu só poderia tocar depois dos dezoito anos.
Mesmo tão novo, com apenas vinte cinco anos, o meu tio era um homem inteligente e muito centrado. Ele realmente cuidou de tudo para mim. Como eu era menor, precisava de um tutor. Como ele tinha emprego fixo e casa própria, a justiça aceitou o pedido de guarda e passei a viver com ele. Como era previsto, pedi e ele vendeu a casa onde morávamos por uma mixaria. Todo mundo sabia o que tinha acontecido, mas eu queria mesmo era nunca mais ter que passar por lá. Ele fez a mudança das minhas coisas para a sua casa e depois que a psicóloga me liberou, voltei para a escola.
Eu não sabia, mas eu era o comentário geral. Todo mundo sabia que eu tinha atirado nos bandidos, as meninas me olhavam estranho e até pareciam ter medo, os meninos também não se sentiam confortáveis. A diretora me chamou na sala dela no primeiro dia e me encheu de perguntas, desconfiavam que eu já tinha atirado alguma vez. Aquilo desencadeou um crise emocional em mim, a psicóloga teve que ser chamada porque eu não parava de chorar. Vi no banheiro das meninas uma caricatura minha e com o dizer “Assassina” em baixo. Uma semana depois o meu tio me transferiu da escola e ainda processou a diretora. A psicóloga disse que ela não devia ter falado aquelas coisas para mim, estava muito recente e em momento algum houve uma desconfiança da parte da polícia. Eu apenas tentei salvar a minha própria vida. A perícia e as investigações em nenhum momento tiveram dúvidas de que eu seria a próxima a morrer se eu não tivesse atirado primeiro.
Na nova escola eu cheguei a ser reconhecida por algumas pessoas, mas não fui destratada ou houve comentários estranhos. Como eu passei a receber a pensão dos meus pais, pude estudar num colégio melhor e fazer todos os cursos que eu queria. O meu tio não me negava nada, apenas me aconselhava. A minha opinião era sempre a final, mas ele nunca deixava de expor o seu ponto de vista. Na maioria das vezes ele tinha razão, adolescente com muita grana não poderia ter muita noção mesmo. Mas numa coisa sempre entrávamos em acordo, ele me apoiou cem por cento quando decidi fazer artes marciais e defesa pessoal. Era uma forma de eu desestressar e aprender a me defender de tudo. A psicóloga também achou uma boa ideia e foi lá que encontrei o meu caminho.

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Registro 64.75 vol. 2: Helena

https://clubedeautores.com.br/book/159825--Helena

Você leu em Registro 64.75 que, depois de tanto tempo se dedicando somente ao seu trabalho como Delegada, Helena aprendeu que viver, confiar e amar valem a pena. Ela se permitiu viver de verdade depois de tanto sofrimento por que passou. Em Helena, a nossa Delegada terá muitas provações na vida profissional e pessoal. Ela conhecerá realmente o homem com quem se casou e que o passado nem sempre fica para trás.
Henrique se mostrará possessivo.
Ricardo não a deixará em paz.
Helena se tornará uma mulher mais forte e decidida.
Novos personagens surgirão e velhos pesadelos do passados a assombrarão.
Tenha fé na nossa delegada.
Ela é forte... Ela é Helena.




Leia um pouco de Helena.



Helena





Eu me sentia em pleno estado de felicidade. Era como se tudo fosse possível, como se tudo de ruim na minha vida tivesse realmente ficado para trás. O Henrique havia me despertado para a vida quando cruzou o meu caminho naquele mesmo navio e depois me inseriu num sonho perfeito ao nos reencontrarmos. Ele simplesmente me fazia feliz, era fato.
– Café na cama? – Arfei quando despertei com o Henrique beijando as minhas costas e vi a bandeja sobre a mesinha.
– Bom dia, meu amor. – Ele sussurrou e me beijou. – Te amo, linda.
– Te amo, amor. Como você conseguiu isso? – Perguntei quando me sentei.
– Aquela moça do cruzeiro... Eu acordei e fui perguntar a ela se poderia fazer isso por você. Contei que ainda estávamos em Lua de Mel. – Ele disse sorrindo e me deu uma torradinha com geleia.
– Gostoso.
– Você que é gostosa, Helena. Estou te amando demais. Demais. – Ele sussurrou quando me agarrou e me deitou na cama. – Delirei essa noite, gata. Me lembrou da nossa última noite aqui. Eu estava sofrendo e querendo guardar a lembrança de você.
– Eu te amei, Henrique. Te amei desde a primeira noite. – Sussurrei de olhos fechados lembrando daquele dia. – Nunca, ninguém tinha me tocado daquele jeito, me olhado e eu me sentido como uma mulher de verdade. Contigo, desde o primeiro dia, não me senti Delegada. Você me despertou de um pesadelo, amor. Me fez viver um sonho em que tudo poderia ser possível.
– Você nunca me disse essas coisas.
– Mas eu me sentia assim. Eu só viva para o trabalho, contigo eu passei a me ver, amor.
– Te amo.
– Demais. – Sussurrei e ele me beijou.
Depois daquele café maravilhoso fomos passear pelo navio. Foi legal ver que as pessoas nos reconheceram, até o garçom que me serviu o primeiro drink. Ele sorriu ao nos ver juntos e comentou que o Henrique fez o maior questionário naquela ocasião. Meu marido sorriu e beijou os meus cabelos, eu estava descobrindo coisas novas. Mais engraçada foi a reação do personal na academia. Ele nos viu entrar juntos, mas não comentou nada, apenas sorriu. Discretamente foi se chegando até que perguntou se tínhamos ficado juntos desde a viagem, mas apenas rimos. Todos achavam a nossa história meio fantasiosa, a da Nívea e do Márcio também. Eles comentaram quando nos encontramos na piscina que várias pessoas os reconheceram também e brincaram ao dizer que eles deveriam ter se casado em alto mar. O Márcio brincava o tempo todo ao fazer declarações de amor para a Nívea e ela entrava na brincadeira. Aqueles dois se completavam realmente.
– Que dançar? – O Henrique me perguntou quando me aconcheguei nele.
– Como da outra vez? – Perguntei e ele beijou o meu ombro.
– E depois te amar. – Ele sussurrou no meu ouvido.
– Eu te encontro no mesmo lugar? Preciso ir a minha cabine mudar de roupa.
– Droga... Não tenho cabine. Você me empresa o seu chuveiro? – Ele pediu depois de bater de leve na testa e sorrir. Aquilo me fez rir.
– Empresto.
– Amo seu sorriso, amor.
O Márcio e a Nívea gostaram da ideia e combinamos de nos encontrar. Eles saíram da piscina como nós, mas tivemos que adiar um pouco o nosso programa.
– Acho que vou colocar aquele meu vestido azul, o que você acha? – Perguntei ao Henrique quando entramos na nossa cabine.
– Ele fica lindo no seu corpo. – Ele disse, mas soltou a parte de cima do meu biquíni assim que fechou a porta.
– Vamos nos atrasar.
nem aí. – Ele disse e soltou a minha canga.
– Não quer dançar?
– Quero que você dance para mim... Em mim. – Ele disse trincando os dentes e me agarrou travando as minhas pernas na sua cintura. – Cara! Tesão, amor. Cheirosa.
– Ah!
– Isso! Te quero solta como naquela noite! – Ele disse quando me deitou na cama e tirou o resto do meu biquíni. – Linda! Minha mulher é linda.
– Ah! Henrique! – Arfei quando ele mordeu a minha coxa.
– Que loucura, Helena. – Ele gemeu com a testa na minha barriga. Ele estava ofegante, mas parou.
– Que foi?
– Tesão, gata! Muito! – Ele rosnou baixo e me apertou na cintura. – Tá um fogo no meu peito. Cara!
– Me ama, amor! – Gemi e ele me acariciou. – Ah!
– Tesão, Helena!
– A camisinha...
– Não! Não quero nada! Só você! Loucura! – Ele gemia.
– E se... E se eu ficar... E se eu ficar grávida! Não tomei o remédio ontem. – Tentei dizer enquanto ofegava.
– Não me importo! Ah! Helena! Ah! – Ele gemia enquanto me amava com a testa colada na minha. – Ferve, amor.
Para variar e como ele queria, esqueci de tudo e até de onde eu estava. Era sempre assim quando nos amávamos, desde a primeira vez. Aquela cabine, aquele navio, trouxe de volta todas as boas lembranças da nossa primeira vez, do momento em que nos tornamos apenas um.
– Sou louco por você. – Ele disse e me beijou. – Louco, Helena. Cara! Estou fervendo. Sente como estou, amor.
– Também estou, amor. – Sussurrei quando toquei no seu peito.
– Faz tempo que não me sinto assim. – Ele disse quando cheirou nos meus cabelos.
– Assim como?
– Descontrolado por você. Essa noite, essa cabine. Acho que deve ser isso, Helena.
– Foi gostoso? – Sussurrei no ouvido dele.
– Cara! – Ele disse rindo e me derrubou na cama. – Assim não vamos dançar.
– Eu quero.
– E eu te quero. – Ele disse e me beijou.
Consegui convencê-lo a irmos dançar e fomos tomar um banho. Acabei colocando o tal vestido, mas longe dele. O Henrique estava realmente mais doido naquele dia. Fiquei preocupada de estar ovulando e fui checar a minha agenda, mas estava longe do período crítico. Na mesma hora tomei o meu remédio. Se deixasse por ele eu estaria perdida. Querer uma família com filhos estava nos meus planos, mas não tão cedo e entrar naquele assunto com ele era sempre pisar em campo minado. O Henrique não insistia por aumentarmos a nossa família, só não aceitava o fato de eu não querer filhos por um tempo por causa da minha profissão. Queríamos curtir juntos, mas ele não aceitava o fato de eu não sentir segurança. O Henrique tomava aquilo como pessoal, achava que eu não confiava a segurança do nosso filho a ele, mas não era verdade. Sempre que discutíamos ele falava a mesma coisa, que ele era homem não moleque, que era capaz cuidar da própria família, que era sua função e não minha. Aquilo sempre gerava mais briga, era um assunto delicado demais.
A boate estava meio vazia quando chegamos e rapidamente localizamos a Nivea e o Márcio dançando. O Henrique me levou para a pista de dança agarrado e acariciou o meu corpo, estávamos curtindo plenamente a nossa Lua de Mel.
Durante aqueles dias em alto mar dançamos, nadamos, malhamos, competimos em apneia e na malhação, subimos a parede de escalada e até treinamos tiro ao alvo com uns discos, foi divertido. O Henrique ria cada vez que errava e eu acertava, o rapaz que carregava o lançador me olhava de lado achando aquilo estranho. Nos amamos até a exaustão todas as noites e às vezes nas manhãs também. Novamente não descemos nas paradas pela costa. Eu e a Nívea teríamos que nos armar e só de comentar os nossos maridos desistiram da ideia. Eles nos queriam civis, o que não éramos.
– Droga. – Resmunguei no quinto dia de viagem quando fui olhar o meu e-mail.
Infelizmente o Ricardo tinha lotado a minha caixa com declarações de amor e pedidos angustiantes para voltar. Em um deles escreveu que eu estava linda no dia do meu casamento, mas que ele deveria estar no altar. Reclamou que não era necessário envolver outras pessoas, que nunca me faria passar a vergonha de um escândalo, mesmo eu estando casando com outro. Ele tentava amenizar as coisas, mas dava para sentir a raiva crescer em cada e-mail que eu lia, aquilo me preocupou. O Henrique estava dormindo do meu lado, descansando da malhação no meio da tarde e me adiantei em apagar aquilo tudo, mas ele acabou vendo.
– O que é isso, Helena? – Ele me perguntou sonolento e esfregou os olhos.
– Não sei e nem quero saber. – Resmunguei e cliquei em excluir os últimos.
– Me deixa ver isso. – Ele pediu ao se sentar e pegou o note.
– Já apaguei, Henrique. Esquece isso. – Pedi e tentei pegar o note de volta, mas ele apenas me olhou. – Já excluí. Não quero saber o que ele queria.
– Tem a lixeira e eu quero. – Ele disse calmamente e clicou. – Nossa. Ele realmente tirou parte do seu dia para dedicar a você.
– Qual é, Henrique! Não quero saber disso. Exclui tudo. – Pedi e ia clicar, mas ele afastou o note. – Amor.
– Preciso saber que tipo de carinha esse Major é, amor.
Me virei para o lado, mas ele continuou a ler um por um murmurando e resmungando baixo. O Henrique às vezes ria, às vezes inspirava fundo com raiva e aquilo estava me preocupando. Mesmo vendo que eu estava chateada por estarmos perdendo o nosso tempo com aquilo, o Henrique continuava a ler e não me abraçava, até que terminou.
– Você vai responder a ele? – Ele sussurrou no meu ouvido.
– Não... Não quero saber de nada disso. Não... Não vou perder o meu tempo com ele. Não... Não quero brigar e nem discutir algo que ficou no passado e não me importa mais. Estou contigo, sou casada, não sou solteira e mesmo se fosse não ficaria com ele de novo.
– Você consegue entender que esse cara está me peitando, gata?
– Já disse que não quero falar nisso e não vou. – Resmunguei, mas me acomodei no seu corpo. – Quero dormir um pouco e relaxar. Quero um jantar bem gostoso hoje. Queria comer lagosta, amor. De sobremesa, aquela torta maravilhosa que vimos na noite passada.
– Não muda de assunto. Temos que resolver isso. – Ele pediu ao me virar.
– Você me ama? – Perguntei e ele assentiu antes de me beijar. – Eu te amo, então não tenho que conversar sobre nada que venha a perturbar a nossa vida. O Ricardo vai se acostumar e aceitar que não tem mais jeito.
– Ele ainda vai te procurar, Helena. Eu sei disso...
– Não quero mais esquentar a minha cabeça com ele, Henrique.
– Só quero que você saiba que eu não vou tolerar ser passado para trás. Quero que você seja sempre sincera comigo, gata. – Ele disse e eu o olhei completamente perplexa. Na mesma hora me levantei daquela cama.
– Como é? Você está achando que eu te trairia com ele? – Questionei.
– Helena...
– Você está duvidando que eu te amo? – Questionei e me agachei. – Não acredito isso!
– Amor...
– Olha aqui, Henrique. Antes de eu te reencontrar já tinha terminado com ele! Não terminei por sua causa, mesmo usando todos os dias aquele anel e o cordão com o pingente. Eu tive que viver depois de você, mas não encontrei quem me fizesse feliz, tá? Não sou uma vagabunda sem vergonha! Não me considere assim!
– Não disse isso!
– E quem faz o que você supôs é o que? Uma safada! Uma pessoa sem caráter e me orgulho de ter o meu, tá sabendo? – Resmunguei e entrei no banheiro.
– Amor. Abre a porta, Helena. – O Henrique me pediu quando bati a porta e tranquei para que ele não entrasse. – Não é nada disso, amor. Me desculpe se te ofendi. Me desculpe, amor. Abre a porta, Heleninha.
Me senti um lixo naquele momento e sentei escorando a porta. Não achava que o Henrique ainda podia ter aquela insegurança e muito menos achar que um dia eu poderia fazer aquilo. Ele não tinha noção do sentido que a palavra amor e casamento tinham na minha vida. Apesar de a minha profissão às vezes me fazer tomar atitudes drásticas e duras, eu carregava comigo mesma tudo que os meus pais plantaram até morrerem.
– Me desculpa, gata. Eu sou homem... Sou um ser humano. – O Henrique disse quando senti que ele se sentou escorando a porta do outro lado.
– Você me acusou...
– Não acusei, amor. Só conjecturei.
– Não jogue com as palavras comigo, Henrique.
– Eu te amo, Helena. Poxa...Tenho direito de ser inseguro. Você transava com aquele Major uma semana antes de nos reencontrarmos. – Ele lembrou e começou a esbravejar do lado de fora. – Ele entrou no apart te agarrando como se fosse seu homem. No dia do nosso casamento teve a cara de pau de ir lá te ver. Porra! Ele te viu de noiva antes de mim, merda! Qual é! Filho da puta! Safado! Ele quer te tirar de mim, droga!
– Mas não vai conseguir. – Resmunguei.
– Não vai mesmo! Eu mato esse safado! – Ele gritou e senti a porta vibrar, depois a sua voz ficou mais distante. nem aí se ele é Major ou seja lá o que for. Para mim é um filho da puta sem vergonha que quer pegar a minha mulher, ouviu?
– Você nunca falou assim. – Comentei quando abri a porta.
– Tá engasgado, Helena! – Ele resmungou gesticulando no pescoço.
– O que está engasgado? Eu? Fala logo de uma vez!
– Tá engasgado você ter transado com ele! – Ele disse olhando nos meus olhos.

(...)




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I. Série Destino.


Ib. Série Destino - Conteúdo Adulto (Série Destino sem cortes)
Destiny 
Destiny - My Superation


II. Série Destino By Diogo (mesma estória, só que contada pelo personagem Diogo)
Outros volumes disponíveis em breve.


III. Registro 64.75
 
IV. Série Águas

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