quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ilusão - Destino By Diogo


Escrito de uma forma casual e informal, Ilusão conta através da visão do Diogo a segunda parte dessa linda estória de amor.
Sempre vivendo numa montanha russa de emoções, o nosso querido Diogo vive intensamente o auge do sucesso profissional e a plenitude de uma vida ao lado da Bruna. Aceitar e suportar o assédio sobre e a sua B passa a ser um desafio constante. O ciúme cresce na mesma proporção do seu sucesso. Ela o ama intensamente e não tem olhos para nenhum outro, mas os outros têm todos os olhos sobre cada movimento dela.
O passado volta novamente a assombrá-lo e pela primeira vez realmente coloca o seu casamento e felicidade em risco. Atos do passado, erros e burradas podem simplesmente acabar com tudo que ele realmente tem de mais precioso.
Sentindo-se dentro de um furacão, de um universo paralelo e até mesmo de um pesadelo, ele não consegue acreditar que tudo pode acabar. De uma hora para outra ela pode simplesmente ir... Sem saber realmente o que fazer, ele tem simplesmente que esperar. Os dois têm simplesmente que ter fé no amor que sentem um pelo outro.
Mais uma vez a família e os amigos são peças importantes em suas vidas e alicerce para que tudo não desmorone. Eles os ajudam, apoiam e muitas vezes apagam incêndios.
Seja bem vindo a mais essa parte dessa linda estória de amor moderno.


Olá.

Por mais que lutemos, o passado é algo que não podemos apagar.
O que acontece agora não pode mudar no segundo seguinte e temos que aceitar os erros... E as burradas que fizemos.
Flores e sorrisos transformam-se em lágrimas e dor de uma hora para outra e isso parece nos transportar para um universo paralelo onde tudo parece falso, irreal, uma ilusão.
Lutar é a única forma de vencer.
Esperar foi a única que eu pude fazer.
Esperar e ter fé.
Fé no amor que eu tinha dentro de mim...
No amor que eu tinha pela minha B.
Nesse trecho da vinha vida com a Bruna o nosso amor e confiança são colocados realmente em teste pela primeira vez e tanto eu quanto ela vivemos dentro de um mesmo pesadelo.
Eu tive que engolir o orgulho e baixar a cabeça para o destino.
Eu tive que esperar a nuvem passar para ver que tudo não passou de uma ilusão e fazê-la ficar... Apenas ficar e esperar comigo.
Doeu muito, mas tudo passou.
Passou e pudemos viver novamente, viver e deixar a vida nos guiar.
Deixar que o nosso amor realmente fluísse e criasse forma, corpo.
Que ele fosse simplesmente a coisa mais perfeita do mundo.
Espero que você goste dessa parte da nossa história.                                                                                                                           Diogo.

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Assim que saímos de casa, como finalmente e prazerosamente casados, pegamos a limusine e seguimos para o heliporto. Ela estava tensa, mas nos meus braços tinha a garantia de que seria eternamente feliz, era essa a minha promessa e o que ela sussurrava no meu ouvido.
– Está gostando da viagem? – Perguntei a Bruna pouco mais de dez minutos depois de termos levantado voo a caminho da fazenda.
– Estou. – Ela disse olhando tudo em volta. – Dá para ver tudo lá embaixo, D.
– Não olhe. – Propus para tentar acalmá-la. – No helicóptero é assim mesmo.
– Dá um frio na barriga. – Ela brincou e se abraçou em mim.
– Fique assim então, não vamos demorar a chegar. – Prometi e a beijei.
Abraçada a mim a Bruna se sentiu muito mais segura. Ela estava começando enfim a desfrutar de tudo o que eu podia lhe dar. Tranquilidade era o foco principal e com a estratégia criada pelo Nando e pelo Henrique não tivemos platéia ou fotógrafos invadindo o nosso primeiro dia de oficialmente casados. Pudemos sair de casa e pegar o helicóptero para a nossa fazenda. Aquele lugar era maravilhoso, além de ser como um refúgio para a nossa família. Era para lá que íamos quando a coisa ficava complicada ou apenas quando queríamos descansar. Quando criança, eu adorava correr por aqueles campos verdes e me jogar na cachoeira. Era muito gostosa a sensação de liberdade e paz, era aquilo que eu queria que a minha B sentisse nos dias em que estivéssemos lá. O problema era a ansiedade dela.
– Só nós dois. Estão todos bem. – Sussurrei no ouvido da Bruna quando ela pegou o celular.
– Só queria saber como foi à festa.
– Com certeza foi maravilhosa, mas não chegou aos pés da minha. – Sussurrei. – Você estava maravilhosa e te amei como um louco.
– Nunca vou esquecer essa noite, D. – Ela ficou acariciando o meu rosto enquanto sussurrava no meu ouvido, me deixando doidão.
– Menos de dez minutos, Senhor. – O piloto avisou cortando o clima romântico.
– Ok. – Disse ao sinalizar com a minha mão.
– Já me informaram que o carro está pronto. E todos estão preparados.
– Todos? – A Bruna me perguntou confusa.
– O Nando providenciou uma segurança para nós, amor. – Contei. – Mas é só até a fazenda, lá temos uma estrutura própria.
– Pensei...
– Estamos em evidência demais. O Nando achou melhor virmos de helicóptero por isso, assim ninguém pode nos seguir e tentaremos ter a nossa Lua de Mel tranquila. Mas mesmo assim ele não descuidou e providenciou essa segurança até a fazenda, mesmo sendo um percurso pequeno. É um pessoal conhecido e que já trabalhou com ele antes, não teremos problemas, podemos confiar assim como no pessoal do Rio.
– Tá. Ele sabe o que faz, não é? – Ela perguntou num tom de voz conhecido. Estava apenas desistindo.
– É.
Mesmo com aquela aceitação aparente, eu conhecia a minha B o suficiente para ver que ela não estava tranquila. Foi só nos aproximarmos mais para ela esticar os olhos e ver a movimentação em solo. Os carros pretos nos esperavam e os caras de terno saíram para nos receber. Ela não aceitava muito bem que sem aquilo não teríamos tranquilidade, que sem aquilo a nossa Lua de Mel seria um acontecimento público. A ajudei a descer assim que pousamos, mas a B ficou meio insegura. Ela olhava para os homens da equipe do Carlão e eu via a tensão.
– E aí, Carlão. – Disse ao chefe da segurança da fazenda quando ele se aproximou de nós.
– E aí, Diogo. – Ele disse e apertou a minha mão.
– Beleza? Essa é a minha esposa, Bruna. Amor, esse é o Carlão. – Apresentei para quebrar o gelo.
– O Nando me deu todas as informações sobre como proceder com a Senhora e com a sua segurança. Pode me chamar de Carlão como o Diogo ou apenas Carlos, dona Bruna. Estarei à sua disposição e cuidarei pessoalmente da sua segurança – O Carlão se apresentou, mas sem tocá-la, exatamente como eu queria. Ela era só minha e o Nando devia ter dado as recomendações corretas. – O que a Senhora precisar é só falar comigo.
– Er... Obrigado. – A Bruna agradeceu e me olhou. – O Nando exagerou?
– Não. – Neguei, na minha concepção.
– Carlos? – A Bruna então chamou.
– Sim, Senhora.
– Quais as recomendações do Nando? – Ela perguntou enquanto eu apenas sorria.
– Manter a Senhora sempre segura, evitar a aproximação de qualquer um e nunca esquecer de que a Senhora gosta do máximo de discrição e simplicidade. Além de obedecer todas as suas ordens.
– Vamos, amor. – Murmurei quando a Bruna ficou olhando para o infinito, provavelmente achando tudo um exagero, diferente de mim e do Nando.
– Vamos. – Ela disse quando o Carlos abriu a porta para que entrássemos.
Senti como ela ficou nervosa com aquele papo. A Bruna ficava mexendo os dedos sem parar enquanto seguíamos, para acalmá-la fiquei fazendo carinhos em sua mão. Ela mal olhava para fora do carro, mas me olhava. Ficava quieta, pensativa e eu nem sabia exatamente o que falar para melhorar as coisas. A verdade era que queríamos mantê-la longe dos holofotes a qualquer custo para que a nossa Lua de Mel fosse perfeita. Além daquilo, tinha as recomendações do meu pai que também tinha uma “certa preocupação”. Aquilo me dava toda indicação de ter relação com o tal processo que ele pegou, apesar dele não falar claramente. Para mim, aquela segurança toda era justificada, mas não para ela.
– Quero tomar sorvete. – A Bruna me pediu de repente.
– Não fique nervosa. – Murmurei sabendo que se tinha
chegado àquele ponto era por que ela estava realmente muito nervosa, não apenas preocupada. Tentei ponderar. – B...
– Deve ter alguma sorveteria no caminho. – Ela disse me cortando e pediu. – Serve um suco, D.
– Amor. Não tem necessidade disso, está tudo bem. – Tentei ponderar, mas ela me fuzilou com os olhos. – B.
– Carlos? – Ela então chamou. – O Nando mandou você acatar as minhas ordens?
– Sim, Senhora.
– Pare na primeira sorveteria, preciso de um sorvete de abacaxi. – Ela pediu já meio ofegante.
– Coisa gelada. – Ele murmurou e olhou para o motorista. – Pegue a avenida principal, sei aonde ir.
Ela foi ficando cada vez mais nervosa, mas sem necessidade. Mesmo depois do tempo que estávamos juntos aquele tipo de proteção e exposição a deixava sempre desconfortável. Eu não sabia exatamente o que fazer, apenas tentava confortá-la já que desistir da proteção era algo simplesmente impossível e fora de cogitação. Ela era minha e eu seria o único a ter total acesso a ela. Mantê-la longe da imprensa e dos fãs era prioridade zero na minha vida, estava acima de qualquer coisa, até de mim mesmo e o Nando estava ciente daquilo.
– Calma, amor. – Sussurrei quando ela começou a ofegar mais quando o motorista acelerou e o Carlão ia indicando o melhor caminho a seguir.
– Não gosto... Não sou de vidro... Não precisa disso tudo. – Ela ia dizendo, mas sem conseguir formar uma frase. – O Nando exagerou, D. Estou parecendo uma boneca de porcelana!
– Ele só quer te manter segura e deu as recomendações já que não estará aqui. Fique calma. – Pedi calmamente.
– Parece que estou numa redoma, meu Deus! Eu sou uma pessoa normal como outra qualquer, gente.  Não é necessário tudo isso, D.
– Você é minha mulher. – Reiterei e a beijei. – Estamos em evidência, amor.
Ela estava tão tensa que nem percebeu o carro parar, o Carlão descer, dois seguranças cercarem o carro, os curiosos tentando olhar lá dentro e sequer os seguranças nos protegendo da aproximação.
– Vai demorar? – Ela me perguntou nervosa.
– Não, fique calma. – Pedi prendendo os olhos dela nos meus.
– Não estou acostumada com essas coisas, amor. – Ela disse e sussurrou no meu ouvido. – O Nando é mais amigo que segurança, me sinto mais à vontade com ele. Esses homens me dão medo.
– Não precisa ter. – Prometi e acariciei o seu rosto. – Eles só nos acompanharão se sairmos da fazenda. Lá é tudo mais tranquilo e podemos andar livremente sem preocupações.
– Promete?
– Prometo. – Sussurrei e acariciei o seu rosto lindo.
– Aqui está, dona Bruna. – O Carlão disse ao voltar para o carro, esticando a mão na direção dela.
– Obrigado. – Ela disse sorrindo e pegou o sorvete.
– Sempre às ordens, Senhora. – O Carlão apenas disse e virou para frente.
Ele estava realmente preparado. Sem nem perguntar, o Carlão trouxe exatamente o sorvete do jeito que a Bruna gostava. O Nando era minucioso, só não gostei da resposta ao sorriso dela no olhar dele. Era difícil não se encantar com a Bruna e naquela hora percebi que ela tinha ganho mais um protetor. Assim que a primeira colherada do sorvete a invadiu, a minha linda esposa se acalmou e pudemos seguir para a fazenda. Tentando prender a sua atenção até topei dividir o sorvete com ela, eu só queria o meu clima de Lua de Mel de volta. Aos poucos ela foi olhando pela janela. Vimos o final dos prédios da cidade e o campo se revelando mais ao longe. Do trânsito para a tranquilidade do campo, seguimos para a fazenda. Eu adorava aquela paisagem, era como se eu estivesse voltando no tempo.
Sempre que íamos para lá, tanto eu quanto os meus irmãos dávamos muito trabalho. O Nando, depois que entrou na nossa família de cabeça também ia às vezes. Ele se divertia, nós nos divertíamos. O meu pai sempre mandava um dos funcionários atrás da gente nas festas da cidade ou nos buscar na cachoeira. A gente aprontava todas, ainda mais com grana sobrando. Foi olhando a paisagem que me lembrei de um desses momentos.
– Qual é, cara? Vamos nessa. – Chamei o Nando quando vimos umas gatinhas na sorveteria.
Eu tinha dezesseis anos e o Nando dezoito. O meu pai tinha tirado ele da cadeia naquela semana. Ele pegou a família toda, incluindo o Nando e levou para a fazenda. A minha mãe tinha ficado tão doida com o que tinha acontecido que tinha brigado com as mães dos caras que estavam envolvidos. O clima no condomínio esquentou e o meu pai achou melhor darmos um tempo. Ela apontou o dedo na cara e disse que não deviam ter se metido com os filhos dela, mas o Nando não era filho e as mulheres caíram em cima. Ela disse na cara que ele era sim filho de coração e elas que engolissem, nem que fosse à força. A dona Suzana não levava desaforo para casa, muito menos quando envolviam os filhos e o Nando estava, a partir do acontecido, mais incluído que nunca. Ela o queria debaixo das suas vistas, mas tínhamos conseguido sair da fazenda e estávamos de bobeira na cidade.
– Aí. A tia vai ficar p... Se a gente se atrasar de novo. – O Nando resmungou.
– Qual é, Muralha! – Resmunguei também.
– Não, Diogo. Na boa... Não vou decepcionar a tia. – Ele disse e virou a cara.
– Qual é, irmão? – Chamei, mas ele não me olhou. – Só umas gatinhas, cara.
– Melhor irmos nessa. Daqui a pouco escurece e o tio vai sair caçando a gente.
– Falou. – Disse e dei um empurrão nele, depois fomos caminhando de volta. – P... Não fica grilado, cara. Tenta esquecer isso.
– Nunca, cara. Aquilo lá é o inferno.
– E você sacou isso em poucas horas?
– Cara! Aquilo lá fede! Tem aquele monte de caras amontoados e doidos para uns morrerem para fazer espaço. Tive que ficar em pé o tempo todo. Eles dão o ultimato, Diogo! Se o tio não me tirasse de lá eu ia ter que dormir em pé. Tinham uns caras estranhos me olhando, cara! Aquilo é o inferno! Você sabe que já vi de tudo lá no meu bairro, mas é assim lá, cara!
– Passou, Muralha. – Disse quando ele se agachou. – A gente não vai deixar mais que você passe por isso, a mãe não vai deixar, irmão.
– Sacanagem dos caras... Me jogaram no fogo! Vontade de matar esses caras, Diogo. – Ele rosnou em meio às lágrimas.
– Você não vai fazer nada com ninguém. – Ouvimos a voz do meu pai.
– Pai! – Arfei.
– Tio! – O Nando arfou.
– A gente tava voltando. – Contei urgente.
– Eu sei. – Ele disse e abraçou o Nando, depois me olhou. – Vamos para casa que a mamãe está preocupada.
– Desculpe aí, tio. – O Nando pediu enxugando o rosto.
– Deixa disso, filho. E esquece essa vingança inútil. A morte deles não te trará benefício nenhum. A melhor forma de você se vingar é sendo o melhor e esfregar na cara deles. Vou te ajudar nisso.
– E o que um merdinha pode ser bom? – O Nando perguntou com cara de sofrimento. – Sou burro, pobre e não sirvo para nada.
– A próxima vez que eu ouvir essas palavras saindo da sua boca de novo, vou te dar uma surra que você nunca mais vai esquecer, tá me ouvindo, rapaz? – Meu pai perguntou sério. – Filho meu não é merdinha! Filho meu não é nada disso, tá ouvindo? E essa história de que você é pobre é passado, além de não ser justificativa para nada. Você não é burro, só não teve uma pessoa que te desse oportunidade. Mas isso também é passado... E os dois tratem de entrar no carro que a Coronel está esperando vocês.
– Não disse? – O Nando me perguntou.
– Cara! A gente não fez nada. – Resmunguei.
Assim que chegamos à fazenda a minha mãe, a Marli e a Maria estavam nos esperando. A minha mãe passou o maior sermão por que saímos sem avisar, mas até que não foi tão complicado. O Nando pediu mil desculpas e não me acusou de tê-lo arrastado de lá, mas o que nos impressionou foi o papo seguinte.
– Sentem-se os dois. – A minha mãe pediu quando passamos por ela e pelo meu pai na sala.
– A bronca não acabou? – Perguntei e ela me olhou feio. – Desculpe, mãe.
– Sentem. – Meu pai ordenou e nos sentamos.
– A gente não vai mais sair sem avisar, tia. – O Nando garantiu e eu assenti. – Foi mal, decepcionei vocês depois de tudo que vocês...
– Nando? – Minha mãe chamou e ele a olhou. – Fica quieto.
– Sim, Senhora. – Ele disse e me olhou. – Ela tá braba.
– Shhhh. – Avisei e ele se calou.
– Bem. – A minha mãe disse revirando os olhos. – Sabemos da amizade de vocês e isso nos enche de alegrias, mas queremos deixar bem claro que isso não tem nada a ver com as nossas decisões. Vocês são praticamente homens feitos, o Nando mais ainda que passou dos dezoito. Acabou a fase da rebeldia e vadiagem, está na hora de crescer.
– Xi. – Resmunguei e ela me olhou feio. – Foi mal, mãe.
– Como maior de idade, você tem responsabilidade para tomar decisões por conta própria e não precisa mais da autorização da sua mãe para nada. – Meu pai disse ao Nando e depois me olhou. – Você precisa.
– Sei disso. – Resmunguei.
– Mas mesmo assim você deve comunicá-la de suas decisões, isso é o correto.
– Você sabe muito bem o que eu...
– Suzana. – Meu pai a interrompeu e ela ergueu as mãos espalmadas. – Nando. O que estamos querendo te propor e isso fica a sua escolha, é o seguinte... Antes de você ser maior de idade, invadir o terreno da responsabilidade da sua mãe seria até considerado crime. Você era menor e não podia responder pelos seus atos e escolhas, agora pode e esse... Incidente só veio a confirmar isso. – Ele disse e a minha mãe resmungou. – Suzana...
– Desculpe, mas não consigo engolir, Rodrigo. Não consigo. – Ela resmungou e se sentou ao lado do Nando. – Ele lá naquele lugar... Meu menino naquele lugar.
– Calma, tia. – O Nando pediu quando ela chorou e ele a abraçou.
– Ele não merecia. – Ela resmungou e beijou o rosto do Nando. – Ele é só um menino.
– Olha o tamanho dele, Su. – Meu pai brincou indicando. – Ele acabava com todos aqueles caras.
– Não fala isso. – A minha mãe resmungou quando rimos e se apertou no Nando. – Você vai ficar conosco agora. Não vou deixar mais que você saia de perto de mim, ouviu?
– Como assim? – Ele perguntou enquanto ela beijava a sua testa e eu ria. – Tio?
– Queremos cuidar de você, Nando. Da sua educação, te dar uma casa. – Meu pai disse então.
– Diogo? – O Nando me chamou enquanto eu ainda ria.
– Beleza! – Vibrei.
– Isso não é certo, tio. – O Nando disse e a minha mãe o olhou. – Tia... É abuso demais.
– Não é abuso nenhum. – Ela disse firme. – Você vai trazer os seus documentos e vai terminar os estudos. Vamos cuidar que você faça a faculdade e se forme.
– Gente...
– Nem adianta discutir, Muralha. – Disse rindo.
– Se quiser se muda de vez lá para casa. Já estão preparando o seu quarto. – Minha mãe propôs. – Você nunca mais será destratado por ninguém, não deixarei.
– Depois você resolve isso, filho. Mas vamos cuidar para que você seja o que quiser na vida. – Meu pai garantiu.
– Eu não sei o que, tio. Nunca pensei nisso, só sei brigar. – O Nando disse.
– E proteger o seu irmão. – A minha mãe lembrou e me olhou feio. – Eu sei que vocês estão sempre se metendo em confusão por causa de garotas.
– Aí. Você poderia ser segurança particular. – Sugeri. – Desse tamanho dá medo só de olhar.
– Fala sério. – O Nando disse rindo junto comigo.
– Se for isso que você quer, filho. Cuidamos disso. – Meu pai garantiu. – Você será o melhor, te garanto. Terá todos os cursos, todas as especializações, tudo.
Era engraçado pensar naquilo enquanto seguíamos para a fazenda. Estávamos seguros porque o Nando tinha cuidado de tudo. Naquela época não imaginávamos como a nossa vida mudaria tanto, mais ainda que estivéssemos tão unidos e que ele fosse cada vez mais o meu irmão. Eu amava o Adriano, mas uma ligação como a que eu tinha com o Nando não existia.
Aquilo me fazia mais feliz ainda porque a mulher da minha vida o aceitava na nossa vida. Não existia no mundo alguém em quem confiássemos mais a nossa segurança do que a ele e vê-la sorrir enquanto o carro seguia era tudo o que eu queria. De repente os seus olhos se fixaram na porteira da fazenda, o grande portão de madeira realmente impressionava e era sempre uma sensação de boas vindas que eu sentia quando passava por ele. Antes da Bruna, quando eu voltava lá, sentia como se os anos regredissem, mas com ela era como uma nova vida se iniciando. Era a sua primeira vez na sua nova casa e ela não era diferente para mim. Eu estava meio ansioso por levá-la, por lhe apresentar ao que lhe pertencia, a tudo que nos pertencia. Ela ainda não tinha tomado posse e conhecimento de tudo, mas nada era forçado, simplesmente não acontecia. Eu tinha planejado para a volta de Paris, mas as coisas se desvirtuaram. Naquele momento forcei a minha mente a pensar em outra coisa e não lembrar do sofrimento daqueles dias. Ela estava lá comigo, como oficialmente minha, para sempre a minha B.
Era legal ver como ela gostava do que via pela janela. Os animais estavam pastando nas laterais do caminho que levava a casa principal. Para quem não estava acostumado com animais de fazenda o tamanho do gado e dos cavalos impressionavam. A Bruna olhava tudo com atenção e sorria, aquilo me fazia feliz. Assim que o carro parou saí para ajudá-la e apresentá-la ao seu novo mundo, a sua casa por aqueles dias. Eu estava excitado pelo momento, ansioso por tê-la lá comigo. Há muito tempo eu não tinha aquele prazer quando voltava à fazenda.
– Seja bem vinda, B. – Disse quando lhe dei a mão para sair do carro.
– Aqui é lindo, D. – Ela murmurou e inspirou fundo quando saiu.
– É sim. – Disse e a abracei pelas costas para olharmos juntos o vasto campo verde onde os cavalos pastavam. – Seremos felizes e voltaremos sempre que você quiser.
– Diogo! – Me chamaram e quando me virei a reconheci vindo na minha direção.
– Marli! – Disse e a abracei. – Amor, essa é a Marli, irmã da Maria. Ela cuida da casa e de todos nós.
– Oi. – A Bruna disse meio tímida.
– A Maria me ligou e disse tudo que a Senhora gosta. – Marli contou animada. – Então a casa está abastecida, pode pedir o que quiser.
– Obrigado, Marli.
– Vamos... Vamos entrar. – A Marli convidou sorrindo. – Seu cavalo está selado, Diogo. E mandei selar um bem manso para a Dona Bruna.
– Cavalo para mim? Não, obrigado. – A Bruna disse com uma risada nervosa.
– Só se você quiser, amor. – Sorri ao dizer e a abracei.
A peguei pela mão e entramos. Eu estava muito feliz, como nunca tinha me sentido. Ela estava finalmente se inteirando de tudo e parecia gostar da casa. A Bruna olhava em volta e tocava nos móveis enquanto eu a observava maravilhado e a Marli sorria para mim. Ela me conhecia bem e sacou logo a minha felicidade, fez de tudo para deixar a Bruna à vontade e mostrou todos os cômodos. O sorriso dela ao entrar no estúdio foi lindo e não poderia ser diferente. A Bruna sabia bem como eu amava cantar, não seria surpresa nenhuma que em todas as casas tivesse um estúdio. O que ela não sabia era que naquele cômodo, durante muitos anos, o meu avô me ensinou praticamente tudo o que eu sabia. Os cursos no Brasil e no exterior só lapidaram aquilo que aprendi com ele na prática e sempre que eu entrava lá era como se eu sentisse a presença dele. O Doutor Felipe era um advogado excepcional que ensinou ao meu pai tudo que ele sabia, mas era o melhor compositor do mundo e me ensinou tudo que eu sabia.
A Bruna adorou um grande pôster de um dos meus shows na parede de um dos cômodos, vi como seus olhos ficaram fixos nele, olhando até com adoração. Ela sempre dizia que tinha orgulho de mim e aquilo me fazia um bem danado. Era diferente de quando a minha mãe falava, dela tinha um gosto especial. Eu cantava para a B e nada me fazia mais feliz que sentir como ela ficava feliz com aquilo. Prometi a mim mesmo que cantaria para ela sempre, mesmo se a minha carreira pública terminasse. Ser famoso foi o meu objetivo até eu conhecê-la, cantar depois só se fosse para fazê-la feliz. A Bruna sorria enquanto continuamos vendo a casa, até que fomos para o nosso quarto, o cômodo que me interessava.
A minha mãe tinha mandado preparar o segundo maior quarto para nós dois assim que marcamos a data do casamento. Tudo lá dentro era novo, desde a cama até os móveis do banheiro. Ela, enquanto planejava o nosso casamento no Rio, entrou em contato com o pessoal na fazenda e contratou decoradores mandando fazer tudo “para ontem”, bem no seu estilo Coronel. Nós tivemos as três semanas para preparar tudo lá, enquanto eles tiveram as mesmas três semanas para preparar tudo na fazenda. A minha mãe queria que fôssemos felizes lá e dividiu as tarefas com o meu pai que esteve na fazenda dando as ordens e designando o Carlão para que fossem cumpridas. Ele e o Nando entraram em sintonia em relação a nossa proteção e o meu irmão foi taxativo nas recomendações.
– Esse é o nosso quarto? – A Bruna me perguntou quando entramos.
– Gostou? – Perguntei.
– É lindo, amor.
Ela ficou passando a mão na cama e olhando tudo enquanto eu apreciava a cena. Era aquilo que eu queria, ela para mim lá na nossa fazenda, feliz. A minha mãe tinha sido dez. O quarto estava realmente perfeito, com os equipamentos novos como eu gostava, o tom das cortinas e colchas que a Bruna gostava. Ele era maior que o da cobertura, assim como o closet e o banheiro. A Marli tratou de desfazer as nossas malas enquanto a minha Bruna olhava a vista pela janela e tudo em volta. Eu estava meio impaciente, mas não queria ser grosseiro. A minha vontade era que a Marli nos deixasse logo sozinhos.  

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